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Medicina do Sono

Otorrinolaringologia e a Medicina do Sono

A Academia Americana de Otorrinolaringologia reconhece o importante papel da Otorrinolaringologia na Medicina do Sono, o que também gostaríamos de trazer à realidade brasileira.

Apesar do sono ocupar um terço das nossas vidas, somente na segunda metade do século XX a Medicina despertou para este complexo fenômeno. As pesquisas sobre o sono nasceram em Chicago com Kleitman, ganhando corpo com a descoberta do sono REM pelo mesmo e seu aluno Asersinsky em 1953.

Continue esta leitura e compreenda melhor o papel da Otorrinolaringologia na Medicina do Sono.

O Desenvolvimento da Medicina do Sono

A partir das pesquisas sobre o sono na segunda metade do século XX, uma explosão de pesquisas fundamentais foram acontecendo nos campos da eletrofisiologia, farmacologia, bioquímica, com o reconhecimento dos mistérios do sono e seus distúrbios.

Este rápido processo de desenvolvimento fica bem demonstrado com o crescimento das clínicas e laboratórios do sono que, a partir da Clínica de Distúrbios do Sono da Universidade de Stanford criada por Dement e seu discípulo Guilleminault em 1970, chegaram a 100 nos anos 80, atingindo hoje quase 3.000 nos USA.

A Medicina do Sono tornou-se uma especialidade multidisciplinar envolvendo neurologistas, pneumologistas, psiquiatras, otorrinolaringologistas, bucomaxilos, cardiologistas, endocrinologistas, cirurgiões bariátricos, dentistas, fisioterapeutas e nutricionistas.

Paralelamente, houve um especial interesse da indústria médica no desenvolvimento de aparelhos para diagnóstico (equipamentos de polissonografia) e tratamento (CPAP, equipamentos cirúrgicos).

No Brasil, este progresso chegou mais tarde, porém, expandiu-se rapidamente nos anos 90 e transformou-se numa das áreas mais atraentes de estudo e trabalho para o ORL.

A Evolução da Otorrinolaringologia no Tratamento da Apneia do Sono

Inicialmente como o último da linha, o Otorrinolaringologista era indicado para realizar traqueostomias naqueles pacientes com apneia grave sem outras alternativas.

Posteriormente, com um melhor conhecimento sobre as enfermidades do sono e com a descrição de Guilleminault de que a Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) não era um privilegio dos obesos, procedimentos cirúrgicos específicos com objetivo de reconstrução das vias aéreas superiores popularizaram-se nos anos 80 e 90, como a uvulopalatofaringoplastia, cirurgias nasais, de língua e sobre o esqueleto facial.

Depois de um grande entusiasmo inicial, resultados irrealísticos e controversos mostraram-se desanimadores em longo prazo, a grande maioria por indicações imprecisas e inconsistentes envolvendo somente uma área da obstrução, deixando outras áreas colapsáveis sem tratamento.

Isto levou ao descrédito o tratamento cirúrgico para a apneia do sono, estimulando os tratamentos não cirúrgicos, tentando-se de várias formas demonstrar a pouca efetividade das cirurgias.

Como em toda enfermidade complexa e de múltiplas variáveis, a Síndrome da Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) tem ainda aspectos não explicados em sua fisiopatologia, porém, o Otorrinolaringologista tem hoje uma melhor compreensão sobre como avaliar um paciente com esta patologia, tendo em conta que 80% deles apresentam múltiplos pontos de colapso das VAS que devem ser tratados.

Novas Perspectivas para a Medicina do Sono

No tratamento do câncer de cabeça e pescoço, temos o sistema TNM, um sistema de classificação para os médicos estadiarem diferentes tipos de câncer, com base em determinadas normas, sendo o guia fundamental na seleção do tratamento apropriado.

Contudo, nos distúrbios respiratórios sono-dependentes ainda não tínhamos um sistema de estadiamento universalmente aceito, o que agora vamos gradualmente conseguindo como o demonstra o estadiamento proposto por Friedman baseado na posição da língua, no tamanho das tonsilas palatinas e no índice de massa corporal.

Uma avaliação precisa constitui a peça fundamental no bom resultado do procedimento. E vemos atualmente que estas estatísticas melhoram a cada dia, podendo-se falar em melhora considerável da apneia por meio de cirurgias nasais, faríngeas, de base de língua e de avançamento maxilo-mandibular.

Artigo Publicado em: 17 de julho de 2017 e atualizado em: 22 de maio de 2019

Tipos de Polissonografia

Conheça os Diferentes Tipos de Polissonografia

As polissonografias são classificadas dependendo do nível de complexidade de investigação que oferecem. São classificadas em polissonografias diagnósticas dos níveis I, II, III e IV, polissonografias de titulação de CPAP e de outros aparelhos de ventilação não invasiva, além de polissonografias com montagem neurológica e com vídeo.​ Continue a leitura e saiba mais sobre os tipos de polissonografia.

Os Tipos de Polissonografia Diagnóstica

Polissonografia Nível I

A polissonografia nível I é o exame padrão realizado para diagnóstico dos distúrbios do sono. É um exame diferenciado, realizado no laboratório do sono de forma completa e abrangente. Podemos avaliar os vários estágios do sono, assim como os movimentos corporais, ritmo cardíaco, e os distúrbios respiratórios cujo ronco é o primeiro sintoma.

A polissonografia diagnóstica ou nível I é realizada com canais múltiplos de eletroencefalograma, oculograma, eletrocardiograma, eletromiograma, além de sensores para detecção de ronco, posição corporal, detecção de eventos respiratórios, movimento torácico e abdominal e eletrodos para avaliar movimentos anômalos das pernas e braços quando necessário.

Outras variáveis podem ser adicionadas como vídeo, CO2 transcutâneo e pressão esofágica ( para avaliar o esforço respiratório). A polissonografia tipo 1 distingue eventos centrais de obstrutivos, permite o reconhecimento de alguns diagnósticos alternativos (por distúrbio do movimento periódico dos membros, parassonias REM e não REM) e pode sugerir outras distúrbios (por exemplo, narcolepsia, restrição crônica do sono devido a perturbação do ritmo circadiano ). Fornece informações sobre a fragmentação do sono e despertares que são importantes na gênese dos sintomas diurnos decorrentes de alterações eventos respiratórios.

Polissonografia Nível II

Recentemente, pela dificuldade de locais com condições ideais e pelo alto custo de manutenção para a realização do exame, novos aparelhos de polissonografia foram desenvolvidos para exames domiciliares.

As polissonografias domiciliares tem ganhado mercado nos últimos anos, e tem sido realizadas com cada vez maior precisão e definição diagnóstica. Atualmente temos vários níveis de aparelhos domiciliares para diagnóstico, sendo os níveis II, III e IV os mais utilizados.

As polissonografias de nível II são as mais semelhantes aos exames realizados no laboratório, usando quase todos os parâmetros previamente relatados para diagnóstico. A maior diferença é o número de canais para eletroencefalografia, que é menor nos aparelhos nível 2 domiciliares.

Este tipo de polissonografia consiste em um dispositivo portátil locado. Ele registra um mínimo de sete canais, incluindo EEG, EOG, EMG, ECG ou frequência cardíaca, fluxo aéreo, esforço respiratório e saturação de oxigênio. Este tipo de monitoramento permite o estadiamento do sono e consequentemente cálculo do IAH. Ele é configurado de forma a permitir os estudos em casa.

Pacientes que não são candidatos para a Polissonografia Tipo 2:

A. Fatores relacionados ao paciente:

1. Neuropsicologicos:
• déficit intelectual grave (isso também pode ser um problema para estudos do tipo 1)
• Doença neuromuscular
• Dificuldade de comunicação grave

2. Incapacidade física grave com atendimento inadequado do cuidador

3. Ambiente doméstico inadequado – vários fatores precisam ser considerados
incluindo nível de ruído, interações entre parceiros / família, distância do laboratório de sono e a segurança de qualquer equipe de atendimento

B. Fatores relacionados ao distúrbio do sono:

• Parassonias / detecção de convulsões que requerem câmera infravermelha ou EEG estendido
•Necessidade de Monitoramento de CO2 transcutâneo.
• Confirmação de vídeo sobre os aspectos posicionais

Polissonografia Nível III

Estudo do sono de canal limitado (tipo 3 e 4) têm um número mais restrito de parâmetros medidos, geralmente uma combinação de variáveis respiratórias incluindo saturação arterial de O2, esforço respiratório e fluxo aéreo. Em geral, o estadiamento do sono é omitido nestes estudos.

Estudos tipo 3 têm pelo menos 4 variáveis monitoradas: oximetria mais esforço respiratório (peito, abdômen ou ambos), fluxo de ar (nasal ou oral por pressão ou termistor), posição do corpo, movimento da mandíbula, ECG, tonometria (um marcador de controle autonômico), actigrafia e som (detecção de vibração ou gravação de som verdadeira). Tonometria também está disponível (marcador de controle autonômico e, assim, sono) como adjunto à oximetria. É necessário equipamento descartável (por exemplo, WatchPAT).

A tecnologia da tonometria arterial periférica mede a variação do volume vascular na extremidade do dedo, avaliando o tônus vascular em resposta ao sistema nervoso simpático. Dispositivos como o WatchPAT (registrado) consistem em oximetria de pulso, microfone, tonometria arterial periférica, posição e actigrafia. Tem demonstrado ser uma ferramenta muito eficiente para o diagnóstico ambulatorial da apneia obstrutiva do sono com alta acurácia para apnéia moderada a grave.

Polissonografia Nível IV

O estudo do Tipo 4 é aquele que incorpora apenas um ou dois parâmetros medidos por exemplo saturação de oxigênio, frequência cardíaca ou fluxo de ar.

Limitações da oximetria com frequência são observadas em cardiopatias e pacientes neurológicos. Outras limitações incluem falta de dados posicionais e do tempo na cama em vez do tempo real de sono. Questionários preenchidos pelo paciente e parceiro de cama em relação às estimativas de tempo de sono, posição do corpo e presença de ronco podem ajudar a complementar os dados registrados a partir de estudos do tipo 4.

Pacientes com contra-indicação aos Tipo de Polissonografia 3 e 4:

1. Populações com baixa probabilidade pré-teste de SAOS moderada a grave

2. Pacientes que relatam sintomas sugestivos de uma condição diferente do sono, respiração desordenada que exigirá monitorização mais extensiva, parassonias, narcolepsia, distúrbios periódicos dos movimentos dos membros e epilepsia noturna.

3. Pacientes com qualquer um dos seguintes casos (hipoventilação noturna ou Apnéia central do sono provável):

a. Doença neuromuscular
b. DPOC grave ou doença pulmonar restritiva
c. Hipóxia e / ou hipercapnia em repouso ou necessidade de terapia com oxigênio suplementar
d. Obesidade mórbida e / ou suspeita de síndrome de hipoventilação da obesidade
e. Doença cardiovascular significativa, isto é, hospitalização recente por IAM, angina instável, insuficiência cardíaca descompensada
f. Uso crônico de narcótico
4. Incapacidade de realizar oximetria durante a noite em ambiente não monitorado. Por exemplo doença psiquiátrica significativa ativa.

Apesar das indicações das polissonografias domiciliares terem crescido no mercado, é importante lembrar que são exames realizados sem o acompanhamento técnico do laboratório do sono, podendo ter falhas mais frequentes por perda de sensores durante o sono, aumentando o risco de repetição do exame.

Não se preocupe em identificar qual dos tipos de polissonografia é o mais indicado para o seu caso. O seu médico do sono irá determinar qual exame solicitar para diagnosticar de forma adequada o seu distúrbio do sono.

Exame de Polissonografia

Saiba Mais sobre o Exame de Polissonografia

O exame de polissonografia é o padrão ouro no diagnóstico e deve ser solicitado para todos os pacientes com suspeita da síndrome da apneia obstrutiva do sono – SAOS. Com a polissonografia positiva para apneia deve-se partir para os exames que avaliam a anatomia de cada paciente e o local de obstrução.

Continue a leitura para saber mais sobre os procedimentos realizados e as indicações do exame.

O Exame de Polissonografia

O diagnostico de apneia do sono é feito através do exame de polissonografia evidenciando um índice de apneia/hipopnéia acima de 5 em adultos e acima de 1 em crianças.

A Polissonografia (PSG) deve ser solicitada em todos os pacientes com suspeita clínica de SAOS. Tendo em vista que o diagnóstico da apneia do sono depende do exame polissonográfico, é importante que o otorrinolaringologista tenha o conhecimento básico na interpretação deste exame que vai muito além do índice de apneia/ hipopneia (IAH).

A polissonografia consiste na utilização dos seguintes dispositivos para avaliar o padrão de sono do paciente:

  • Eletroencefalograma
  • Eletro-oculograma
  • Eletromiograma
  • Eletrocardiograma
  • Termistor, termopar e cânula nasal
  • Cinta torácica e abdominal
  • Oxímetro de pulso
  • Microfone
  • Câmera

Exame de Polissonografia e Critérios Diagnósticos

O diagnóstico de apneia obstrutiva do sono depende dos seguintes critérios de acordo com o ICS3 (International classification of sleep disorders):

A. Presença de um ou mais dos seguintes:
1. O paciente apresenta sonolência, sono não reparador, fadiga ou insônia
2. O paciente acorda com sufocamento, engasgos ou respiração ofegante
3. O parceiro de cama ou outros observam e relatam ronco, pausas na respiração ou os dois durante o sono do paciente.
4. O paciente tem diagnóstico de hipertensão, distúrbio de humor, distúrbio cognitivo, doença coronariana, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca congestiva, fibrilação atrial ou diabetes tipo 2

B. Polissonografia ou monitorização portátil do sono demonstrando:
1. Cinco ou mais eventos respiratórios predominantemente obstrutivos (apneias mistas, obstrutivas, hipopneias ou despertar relacionado a esforço respiratório (RERA)) por hora de sono durante a polissonografia ou teste ambulatorial portátil.

Ou

C. Polissonografia ou monitorização portátil demonstrando:
Quinze ou mais eventos predominantemente obstrutivos ( apneia, hipopneia, RERA) por hora de sono durante a polissonografia ou monitorização portátil

Para diagnóstico da apneia do sono, o paciente deve apresentar as características relacionadas aos itens A e B ou apenas relacionadas ao item C.

Tendo em vista que o diagnóstico da apneia do sono depende do exame polissonográfico, é importante que o otorrinolaringologista tenha o conhecimento básico na interpretação deste exame que vai muito além do índice de apneia/ hipopneia (IAH).

Exame de Polissonografia – Resultados no Laudo

O laudo de um estudo polissonográfico deve conter as seguintes estatísticas:

  • Tempo Total Registro –TTR –mínimo 06 horas
    Tempo Total Sono -TTS
    Eficiência (TTS/TTR): > 85% é o ideal

 

  • Tempo total acordado após início do sono

 

  • Tempo em sono NREM e REM:
    Sono NREM: 15 a 20 minutos (varia com a idade)
    Sono REM: 70 a 90 minutos

 

  • Porcentagem do TTS em cada estágio
    a. Estágio W (acordado) -< 5 % TTS
    b. Estágio N1 (NREM1) -2 a 5%
    c. Estágio N2 (NREM2) -45 a 55%
    d. Estágio N3 (NREM3) -13 a 23%
    e. Estágio R (REM) -20 a 25%

 

  • Eventos Respiratórios:
    Número de apneias, índices, saturação e classificação da SAOS em 3 níveis:

IAH-normal ou ronco primário :<5eventos por hora.
SAOS leve: IAH entre 5 e15
SAOS moderada:entre15e30.
SAOS acentuada ou grave:>30.

  • Presença de Ronco
  • Posição
  • Micro-despertares: Número e índices (Normal entre 10 e 15/hora)
  • Eventos cardíacos: Frequência, arritmias
  • Movimentos dos membros
  • PLMS, índice associado a micro-despertar
  • Alteração EEG
  • Alteração ECG
  • Comportamentos
  • Resumo com a descrição dos achados

Com a polissonografia positiva para apneia deve-se partir para os exames que avaliam a anatomia de cada paciente e o local de obstrução.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono

Diagnóstico e Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono

O quadro clínico da apneia obstrutiva do sono(AOS) é caracterizado pelo colapso recorrente parcial ou total das vias aéreas superiores durante a noite. As queixas mais frequentes nos pacientes adultos com AOS, comparados com não apneicos, são presença de ronco, sufocamento noturno e sonolência excessiva diurna (SED).

Veja neste artigo os fatores aos quais prestamos atenção ao avaliar um paciente com apneia do sono.

O Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono

Veja a seguir os principais sintomas diurnos e noturnos relacionados à SAOS:

  • Sintomas Diurnos: Hipersonia diurna, Cansaço crônico, Transtorno de humor, Cefaleia Matutina, Depressão, ansiedade, Perda de memória, Diminuição da libido e Impotência Sexual.
  • Sintomas Noturnos: Pausas respiratórias, Roncos, Despertares bruscos com asfixia, Sono agitado, Sono não reparador, Movimentos anormais durante o sono, Noctúria e enurese, Distúrbio do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e Sialorreia ou boca seca.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Exame Físico

Em alguns pacientes a inspeção da face pode revelar a patologia como nos casos de hipotireoidismo e acromegalia. A inspeção também pode fornecer indicações quanto às anormalidades fisiológicas.

Uma hiperpigmentação na fronte, assemelhando-se à acantose nigricans, pode estar presente em pacientes portadores de apneia do sono (crianças ou adultos) que durmam sentados, com a fronte apoiada num antebraço sobre a mesa. Isto é encontrado com frequência em pacientes com apneia grave, por ser esta a única posição em que eles conseguem dormir.

Em muitos casos, a apneia do sono se evidencia ao primeiro encontro com o paciente. Por exemplo, pálpebras pendentes sugerem sonolência. Pálpebras frouxas foram associadas à apneia do sono. Sobrancelhas arqueadas podem ser um sinal de que o paciente está tentando abrir as pálpebras.

Os achados mais relevantes do exame físico nos pacientes adultos com ronco/SAOS são: obesidade, alterações sobre o esqueleto craniofacial e as alterações anatômicas sobre a via aérea superior (VAS).

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Alterações Craniofaciais e Anatômicas

As alterações craniofaciais mais relacionadas à SAOS são aquelas decorrentes da hipoplasia da maxilar e/ou mandibular, que podem ser visualizadas por exame físico e confirmadas por cefalometria.

Várias alterações anatômicas sobre a via aérea superior (VAS) são descritas em pacientes com AOS, sendo os achados mais frequentes: alterações nasais, tonsilas palatinas hiperplásicas, alterações sobre o palato mole, úvula e pilares tonsilares.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Outros Fatores

A combinação do IMC, estrutura da língua e presença de anormalidade anatômica da faringe estão relacionados com presença e gravidade da AOS.

A medida da circunferência cervical é um fator robusto de predição estatística de apneia obstrutiva, ainda que mais em homens que em mulheres. Muitos pacientes obesos com apneia do sono têm uma circunferência  cervical de pelo menos 43 cm no sexo masculino e 38 cm no sexo feminino.

Circunferência Abdominal maior que 95 cm em homens e maior que 85 cm em mulheres bem como IMC maior que 30 kgs/m² são características presentes em pacientes com SAOS.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Questionários

Uma ferramenta importante para avaliar a qualidade do sono e de vida são os questionários introduzidos recentemente na prática clínica. Como exemplo, temos a escala de sonolência de Epworth (ESE), com validação brasileira por Bertolazi, que tem grande importância na identificação de SED, auxiliando no rastreamento de pacientes com SAOS, principalmente quando associada a outros parâmetros clínicos.

Pacientes com pontuação ESE maior que 10 tem risco 2,5 vezes maior de ter AOS comparados com teste normal. O Questionário de Berlim (QB) auxilia no rastreamento de pacientes com alto risco de AOS, mas sozinho não permite diagnóstico de certeza. Apesar da prevalência de ESE>10 aumentar com a gravidade da AOS, menos de 50% dos pacientes com SAOS moderada a grave apresentam ESE maior que 10.

O questionário STOP-Bang identifica os pacientes com alto risco para SAOS e apresenta maior validade metodológica, com precisão razoável e recursos fáceis de usar. Tem validação na língua portuguesa. Consiste em oito questões envolvendo ronco, cansaço, fadiga, sonolência, IMC, pressão arterial, idade, circunferência cervical e gênero.

O FOSQ-10 é um questionário ainda sem validação na língua portuguesa, auto-administrado e específico para avaliar o impacto da sonolência excessiva nas atividades diárias. Diversos estudos recentes demonstram ser mais uma excelente ferramenta para triagem da SAOS.

O sucesso do tratamento depende de uma avaliação inicial minuciosa, ajudando a prever o sucesso das cirurgias palatais a partir destes fatores observados durante o exame clínico.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

Exames para Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

O diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) deve se iniciar com uma cuidadosa anamnese. É comum que os pacientes venham à consulta com o parceiro: quem alerta sobre o problema do ronco e/ou apneia e não é incomum trazerem vídeos ou gravações do ronco do paciente.

Veja neste artigo informações sobre os principais exames realizados para o diagnóstico e como os avanços na tecnologia podem ajudar neste processo.

O Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

A avaliação clínica inicia-se com perguntas ao paciente sobre a qualidade do sono, qualidade de vida, hábitos alimentares, estilo de vida, atividade física e rendimento laboral. Todas essas informações são importantes para a avaliação inicial e deve ser sempre levado em conta no diagnóstico da SAOS.

Diversos questionários para a SAOS tem sido utilizados como o Berlim e Epworth que sugerem a presença da apneia do sono e da sonolência excessiva diurna. Recentemente aplicativos de smartphones tem sido usados como uma ferramenta de fácil acesso porem ainda faltam estudos comprovando a sua real eficácia.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – A Polissonografia

O diagnostico de apneia do sono é feito através do exame de polissonografia evidenciando um índice de apneia/hipopnéia acima de 5 em adultos e acima de 1 em crianças.

O exame de polissonografia é o padrão ouro no diagnóstico e deve ser solicitado para todos os pacientes com suspeita da SAOS. Com a polissonografia positiva para apneia deve-se partir para os exames que avaliam a anatomia de cada paciente e o local de obstrução.

O diagnóstico do local exato de obstrução é um desafio e diversos exames têm sido desenvolvidos para avaliar a via aérea para o tratamento mais adequado possível, individualizando cada caso.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – A Sonoendoscopia

A precisão da avaliação diagnóstica para classificar o local de obstrução das vias aéreas superiores melhorou muito com a introdução da Sonoendoscopia, na qual o otorrinolaringologista pode propor estratégias terapêuticas adaptadas para os diferentes tipos de colapso. O objetivo é sempre individualizar cada paciente e propor um tratamento com alternativas ao CPAP, como procedimentos cirúrgicos ou outros dispositivos.

A sonoendoscopia deve ser realizada em pacientes selecionados que necessitem de uma melhor avaliação dinâmica da patência da via aérea. Está indicada em pacientes com dificuldade de aderência ao CPAP, pacientes que já foram submetidos a procedimento cirúrgico e apresentam sintomas residuais da SAOS. Pacientes candidatos ao uso de aparelho intraoral e mais recentemente para a titulação do CPAP também possuem indicação para o exame.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – Outros Exames

A Nasofibrolaringoscopia é um exame realizado pelos otorrinolaringologistas como uma ferramenta para avaliar o sítio de obstrução da SAOS. A avaliação da cavidade nasal a partir da válvula nasal, septo nasal, cornetos inferiores e médios é de vital importância para diagnosticar o estreitamento das fossas nasais a passagem do ar.

A cefalometria não está necessariamente indicada em todos os pacientes com SAOS, porém naqueles pacientes cujo exame físico apresenta indícios de desproporção ortognática, ou ainda, pacientes com apneia grave com indicação de cirurgia craniofacial, este exame é necessário.

Exames de Imagem, como tomografia computadorizada e a ressonância magnética, permitem-nos uma excelente avaliação nos diversos planos anatômicos ( axial, coronal e sagital) do local do eventual sítio de obstrução, permitindo uma melhor abordagem cirúrgica.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – Aplicativos

Recentemente com a introdução dos smartphones em nossa rotina diária, surgiram alguns aplicativos para acompanhar e medir o ronco e a noite de sono. Estes aplicativos foram projetados para gravar o ronco, medir os horários, intensidade e duração do ronco, e até mesmo permitirem a documentação do posicionamento durante o sono.

É comum que alguns pacientes venham à consulta com arquivo de áudio ou vídeo que comprova o ronco. Até o momento, existe um numero restrito de publicações sobre o assunto. Programadores de software desenvolveram uma série de aplicativos que muitas vezes tem mínima participação do médico especialista.

Uma recente revisão nos aplicativos de ronco demonstrou que esta ferramenta é muito útil e de extrema aplicabilidade na rotina clinica para avaliação e acompanhamento do paciente. O recurso mais importante é a capacidade de exibir graficamente os eventos durante a noite.

Em comparação com dados polissonográficos os aplicativos demonstram excelentes valores preditivos positivos para os aplicativos e podem fornecer indícios da necessidade de uma melhor investigação, com exame clínico e procedimentos diagnósticos.

lavagem nasal

Como fazer a lavagem nasal?

Uma pergunta frequente do paciente no consultório é como fazer a lavagem nasal e para que serve este procedimento. Assim, elaboramos este artigo, para explicar a você alguns detalhes importantes sobre este assunto. Acompanhe.

Como fazer a lavagem nasal

A Importância da Lavagem Nasal

Dentro do nariz temos os cílios que servem para circular e mover o muco nasal naturalmente. Quando utilizamos o soro fisiológico no nariz auxiliamos o batimento desses cílios e o muco se torna mais fluido. Desta forma o excesso de muco é retirado e há uma melhor circulação dentro do nariz, evitando assim acúmulo de impurezas que podem causar problemas como sinusite e resfriados.

A Escolha do Soro Fisiológico

A lavagem nasal deve ser feita com soro fisiológico a 0,9%. Nas farmácias existem vários tipos de sprays nasais prontos para realizar a lavagem nasal. Estudos recentes têm demonstrado que para uma lavagem nasal mais efetiva é necessário alta pressão e grande quantidade de soro fisiológico, portanto, o spray do tipo jato continuo é o mais efetivo para essa função.

Passo a Passo de Como Fazer a Lavagem Nasal

Deve-se colocar o spray no interior do nariz e aperta-lo durante 5 segundos nas duas narinas. O soro irá escorrer pela garganta e voltar pelo nariz. Não tem problema, só basta assoar o nariz devagar e cuspir o excesso.

Recentemente alguns vídeos na internet tem circulado com crianças fazendo a lavagem nasal com auxilio de uma seringa. Pode ser feito também, mas deve-se lembrar que crianças muito pequenas, antes dos 3 anos de idade podem se engasgar, ou ter problemas de otite quando o procedimento é realizado dessa forma.

Então para os pequenos o ideal é o spray nasal vendido em farmácias.  Para os adultos, no entanto, pode se fazer a lavagem com seringa de 60 ml.

Cuidados que Devem Ser Tomados

Lembrar sempre que o soro fisiológico perde as suas propriedades e pH apos aberto, então o ideal é comprar frascos menores e armazená-los em geladeira.

O habito de lavagem nasal com água e sal não é recomendado, pois pode irritar ainda mais a mucosa nasal dependendo da quantidade de sal que é colocada na água.

rinite ou sinusite

Eu Tenho Rinite ou Sinusite, Doutor?

Uma das perguntas mais frequentes nos consultórios de otorrinolaringologistas no outono e inverno, é a diferença entre rinite ou sinusite. Como este assunto causa muita polêmica, vamos tirar a sua dúvida neste artigo. Acompanhe!

Rinite ou Sinusite

A rinite e a sinusite, na maioria das vezes, estão presentes ao mesmo tempo no paciente. Por este motivo, atualmente usamos a palavra Rinossinusite para designar estas condições.

A rinite consiste numa inflamação da mucosa nasal. Esta pode ser causada por alergia ou não, sendo que o paciente apresenta como principais sintomas: nariz entupido, coriza, coceira e espirros. Além disso, pode ocorrer dor de cabeça, especialmente na região frontal.

Já a sinusite é uma infecção desta mucosa, causada por vírus ou bactérias. Como toda infecção, a sinusite gera sintomas como febre, dor de cabeça muito intensa, secreção nasal amarelada ou esverdeada, nariz entupido , halitose, tosse e dor de garganta.

Sintomas da Rinite e Sinusite

Como vimos, alguns sintomas da rinite e da sinusite são parecidos. Isso acontece, pois a pessoa que tem sinusite quase sempre também possui rinite. É difícil ocorrer de estas duas condições não estarem ligadas. E quase sempre uma pode ser consequência da outra.

Sempre que uma pessoa apresenta esses sintomas que indicamos acima, deve procurar o médico otorrino.  É apenas este especialista que está apto a diagnosticar qual o real problema e suas causas, para indicar a melhor forma de tratamento.

Diagnóstico da Rinite ou Sinusite

O diagnóstico destas doenças é sempre clínico. Isto quer dizer que, durante a consulta, o otorrino realiza um exame médico detalhado do paciente. Em alguns casos, pode ser necessária a realização de exames endoscópicos, laboratoriais ou de imagem para confirmar a patologia.

Prevenção da Rinite ou Sinusite

Veja a seguir algumas dicas que você pode colocar em prática, para evitar a rinite e sinusite:

  • Ingerir em média 3 litros de água diariamente;
  • Realizar lavagem nasal, com soro fisiológico a 0,9%, ao menos 3 vezes por dia;
  • Manter a casa sempre limpa e bem arejada;
  • Utilizar edredons ao invés de cobertores para dormir;
  • Evitar tapetes, carpetes, cortinas e pelúcias, principalmente dentro do quarto;
  • Trocar roupas de cama frequentemente, pelo menos uma vez por semana.

Tratamento da Rinite ou Sinusite

Quando falamos em tratamento, é importante esclarecer que podemos considerar o termo “cura” na maior parte dos casos de rinite. Para esta condição, precisamos pensar em controle, embora ela possa melhorar com o tempo.

Em relação à sinusite, existe sim a possibilidade de cura, na grande maioria dos casos. Mesmo a sinusite crônica, com os cuidados adequados e o tratamento correto, não é necessário nenhum tipo de intervenção cirúrgica para solucionar este quadro.

Evite a Automedicação!

Não utilize nenhum medicamento, antes consultar o especialista! É comum que os pacientes comprem os fármacos vasoconstritores nasais, por conta própria, para tratar a rinite. Não faça isso! Estes medicamentos podem causar dependência, piorar ainda mais a obstrução nasal, reduzir a capacidade de olfato e até mesmo levar ao desenvolvimento de problemas cardiológicos.

Procure o seu médico otorrinolaringologista de confiança, pois ele é o profissional mais indicado para tirar as suas dúvidas e prescrever o tratamento adequado para o seu caso!   

Dra. Heloisa dos Santos S. Nunes

CRM 150199

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