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Otorrinolaringologia

Do Hospital Ibirapuera ao Núcleo de Otorrinolaringologia de São Paulo

Do Hospital Ibirapuera ao Núcleo de Otorrinolaringologia de São Paulo – Conheça a Nossa História! Nos anos 60, o Brasil passava por importantes transformações comportamentais, que se refletiam em toda a sociedade. Na área da Medicina, inúmeras faculdades foram criadas, assim como diversas especialidades foram sendo aperfeiçoadas. E este foi o caso da Otorrinolaringologia.

Neste artigo, vamos conhecer um pouco deste processo que, em São Paulo, incluiu a história do Hospital Ibirapuera, referência na especialidade de Otorrinolaringologia, durante todo o seu período de existência. Acompanhe.

Do Hospital Ibirapuera ao Núcleo de Otorrinolaringologia

O Instituto de Otorrinolaringologia e Endoscopia Peroral

OtorrinolaringologiaEm meados de 1960, um grupo de otorrinos que trabalhavam juntos no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo e no Hospital das Clínicas da USP, resolveram montar uma clínica comum a todos. Para tal, alugaram uma casa na rua Correia Dias, 73, no bairro do Paraíso, e fundaram o Instituto de Otorrinolaringologia e Endoscopia Peroral (IOEP).

Desde grupo inicial, constavam Moisés Cutim (chefe do Serviço de ORL do HSPE), Paulo Cunha Cintra, Luiz Pereira Barreto Sobrinho, Cid Pupo, Brás Nicodemos, Mauro Spinelli, Zenshi Hishiki, Domenico Modesto, Antonio Douglas Menon, Rhadamés Ribas Neto, Walter Freitas, Fabio Freire, Paulo Carvalho, Antonio Carlos Graça Wagner, Augusto Pastore Filho e José Antonio Pinto.

O IOEP atendia pacientes particulares e de alguns convênios, mantendo plantão de 24 horas na especialidade, uma grande novidade na época. Cirurgias também eram realizadas na clínica.

A Ampliação do IOEP

Em 1967, ocorreu a unificação dos institutos de previdência (antes representados por vários grupos, como dos bancários, dos comerciários, etc.), em um único: o INPS (Instituto Nacional de Previdência Social). Também foi criada a 2ª. Tarefa, medida que possibilitou aos médicos previdenciários serem remunerados por seus procedimentos cirúrgicos, estimulando assim a produtividade.

Já então bem estruturado, o IOEP foi credenciado para atendimento das emergências e cirurgias do INPS e, como oferecia cobertura com plantonistas 24 hs., muitos otorrinos passaram a fazer suas cirurgias no Instituto.

O grande movimento cirúrgico levou a alugarem casa vizinha para a ampliação das internações e das salas cirúrgicas. Em pouco tempo, já eram realizadas mais de 50 cirurgias por dia. Com este movimento crescente, o grupo partiu para a ideia de construir um hospital próprio especializado em ORL, adquirindo terreno na recém inaugurada Avenida Rubem Berta, próximo ao Hospital do Servidor e da AACD.

A Inauguração do Hospital Ibirapuera

Hospital Ibirapuera - OtorrinolaringologiaCom um projeto bastante audacioso, em 4 de agosto de 1969, inaugurava-se o Hospital Ibirapuera S.A., com área física de mais de 1.400 m2 em sua parte térrea e com fundações em sua parte posterior para mais 10 andares com 400 m2 cada.

Em seu térreo, havia recepção, 5 consultórios, 1 consultório de fonoaudiologia, 5 apartamentos, 3 enfermarias, posto de enfermagem, centro cirúrgico com vestiário, 3 salas cirúrgicas grandes e 2 pequenas, sala de recuperação e área de pronto atendimento.

Apresentava também toda infraestrutura hospitalar, como lavanderia, cozinha e vestiários. Como o primeiro hospital especializado em São Paulo, o Hospital Ibirapuera tornou-se uma referência na Otorrinolaringologia paulista e brasileira, onde atuavam os seus proprietários e também grande número de otorrinos da cidade.

O Centro de Estudos do Hospital Ibirapuera

Em 1973, foi criado o Centro de Estudos do Hospital Ibirapuera, sendo seu primeiro presidente José Antonio Pinto, que organizou então a Residência Médica em Otorrinolaringologia, uma das primeiras no Brasil fora dos centros universitários.

Foram seus primeiros residentes Lauro João Lobo Alcantara, formado pela Universidade Federal do Paraná, Simone Pavie Simon, da Escola de Medicina e Saúde Pública da Bahia e Jarbas Barbosa, da Faculdade Medicina do Triângulo Mineiro de Uberaba.

A residência em Otorrinolaringologia do Hospital Ibirapuera tornou-se uma das mais concorridas do país e por ela já passaram mais de 150 médicos. Veja a lista atualizada dos nossos residentes em outubro de 2018:

Adriana Meneghini –RS
Adma Roberta Yoshida Zavanela – SP
Aguilar Rodrigues Junior- SP
Airton Gonçalves- SP
Aldo Edel Cassol Stamm- SP
Alexandre Felippu – SP
Almir Francisco de Assis Rolla- BA
Ana Carla Souza Marqui-SP
André Freitas Cavallini da Silva – SP
Andréia Felix Perazzio
Andreia Natalia Azevedo Ferreira de Vasconcelos – SP
Ângela Maria Pereira de Barros
Antonio Abel Pauperio- SP
Antonio Fernando Salaroli
Beatriz Silveira Zalla – SP
Arturo Frick Carpes- SP
Áureo Fernandes Borges Junior- RN
Carlos Antonio Rodrigues de Faria- SP
Carlos Eduardo Cervantes dos Santos- SP
Carlos Otavio Branco Graminho- SP
Carlos Tadeu Rodrigues de Souza- BA
Carolina de Farias Aires Leal
Cassia Paloma da Cunha Onofre-SP
Cauê Duarte -SP
Cris Vanessa Gasgues
Celso Gomes – SP
Charif Abrão Elias- SP
Charly Torregrossa- SP
Davi Davi Knoll Ribeiro – SP
David Grinstein Kramer- BOLÍVIA
Delmer Jonas Polimeni Perfeiro- SC
Denílson Storck Fomin- SP
Denise Abritta- SP
Deraldino Alves Campos- BA
Domingos Lamonica Neto- SP
Donaldson Antonio Breda- SP
Edson Carlos Miranda Monteiro- SP
Eduardo Amaro Bogaz- SP
Eduardo Barbosa de Souza- BA
Eduardo Nogueira Magri – SP
Elcio Izumi Mizoguchi – SP
Eloísa Pires do Prado- SP
Fabiana
Fabio Caracho Batista – SP
Fabio Freire Junior- SP
Fabíola Esteves Garcia Caldas – SP
Maria de Fátima C. Albuquerque Milito – AL
Fernando Arruda Ramos- SC
Fernando César Cervantes dos Santos- SP
Fernando Jose Sales Carneiro- SP
Francisco José Coser- PR
Gabriel David Hushi- SP
Gabriel Santos de Freitas – SP
Gabriella Spinola Jahic – SP
Geraldo Rafael Muniz- SC
Glaura Maria Pimentel Ferreira- SP
Gustavo Duarte Paiva Ferreira- SP
Gustavo Juliani Faller- RS
Haroldo Fernandes Vilela- SC
Heitor Sonda- PR
Heloísa dos Santos Sobreira Nunes – SP
Henrique César Fellipu Pinto- SP
Henrique Wambier – PR
Irajá Alves de Oliveira Junior- RS
Janaina Guidotti Cunha
Jarbas Barbosa
Jeanne da Rosa Oiticica Ramalho- SP
João Elmar de Oliveira
João Fernandes Leal
João Osvaldo dos Santos- MT
José Carlos Maruoka- SP
José Milton Moura Borges- PI
Josemar dos Santos Soares – PB
Jucicleide Bezerra Coimbra- SP
Julio Marcos Pinheiro- MG
Juvêncio Coelho Lustosa- BA
Kelly Elia Abdo – SP
Khalil Fouad Hanna- SP
Laércio Freitas de Oliveira- BA
Laila Puranen Mourão Martins – SP
Larissa Souza Barreto – SE
Lauro João Lobo Alcântara- PR
Leonardo Marques Gomes – BA
Letícia Weber Wächter – RS
Levon Mikhitarian Neto- SP
Lina Ana Medeiros Hirsch – SC
Lis Tozzatti Fernandes- RS
Lucia Helena da Costa Pinto- SP
Luciana Balester Mello de Godoy- SP
Luciana Lagatta Benatti-SP
Luiz Alberto Gonçalves de Andrade- BA
Luiz Antonio Baldivieso Schemy- MG
Luiz Eduardo Wambier-PR
Luiz Henrique Vaz- SC
Luiz Marcio Hummel-SP
Luiz Nobuo Miyamura- PR
Mab Furlan- SP
Marcus Alexandre Sodré- PB
Maria Angélica Ayres Alencar- PR
Maria José Costa Coser- RS
Mariana Baptistella Mazzotti – SP
Marina Spadari Ártico
Mario Luiz Augusto da S. Freitas- SP
Massao Yamada Sawamura – SP
Mauro Knoll- SP
Michele Villa Flor Brunoro-DF
Milena Nathalia Shingu Funai
Milton Pomponet da Cunha Moura- BA
Modesta Ishii- SP
Mônica de Oliveira Nóbrega- SP
Milton Hiroshi Abe- SP
Nilvano Alves Andrade- BA
Obionor Alves de Nóbrega- PA
Olavo Luiz Estefanato- RS
Paola Barbieri Pasquali
Paula Zimath
Paulo de Tarso Moura Borges
Pedro Luiz Coser- RS
Pedro Paulo V. da Cunha Cintra- SP
Rafael Moliterno Neto- SP
Raul Antonio Ferreira- SP
Regina Helena N. Gonçaves
Reinaldo Luiz Salmaso- SP
Renata Coutinho Ribeiro – SP
Renato César Abssanra- SP
Renato Euclides Carvalho de Velloso Vianna
Renato José Corso- RS
Ricardo Azevedo Sallum- SP
Roberta Moss Rinke – SP
Roberto Duarte Paiva Ferreira- SP
Robson Vieira Santos- BA
Rodrigo Kohler – SC
Rodrigo Prestes do Reis – SP
Rogério de Oliveira Barros- PR
Rômulo Augusto Barros- SP
Rose Mirian Souza Di Matteo- SP
Rozania Soeli dos Santos- SP
Rubens Huber da Silva-SP
Ruy Carlos Carvalho de Souza Lobo- BA
Salvador do Carmo Rodrigues- SP
Saulo de Tarso Sgarbi- SP
Sávio Nogueira da Silva Junior- SP
Seliram Barros Fontenele Dias – MA
Sergio Bittencourt- SP
Sergio Lourentz Seballos- RS
Silvana Bellotto- SP
Silvia Helena Lanza
Simone Pavie Simon- SP
Sonia Rodrigues Pereira- BA
Suhenia Ligia P. Lima- PB
Teresa Monteiro Teixeira Cardoso -SP
Thiago Branco Sônego – PR
Ulisses José Ribeiro- SP
Valeria Brandão Marquis
Valtrudes Alves Pamplona – MG
Washington Luiz Cerqueira de Almeida – BA

A Fundação do Núcleo de Otorrinolaringologia de São Paulo

Em final de 1985, o Hospital Ibirapuera encerrou suas atividades em Otorrinolaringologia, devido problemas societários, sendo vendido a uma empresa seguradora na área da saúde.

Durante 16 anos de intensa atividade, o Hospital Ibirapuera marcou uma era dentro da Otorrinolaringologia, em seu aspecto assistencial e no desenvolvimento da especialidade em nosso país.

Além de centro de excelência na formação de novos especialistas, fomentou o desenvolvimento das mais modernas técnicas em ORL, como a microcirurgia da laringe, a microcirurgia endonasal, a cirurgia da base do crânio, o uso dos raios laser em ORL e outras. A lacuna aberta com o seu encerramento jamais foi preenchida.

A Continuidade da Residência em Otorrinolaringologia

Com o encerramento do Hospital Ibirapuera, o Dr. José Antonio Pinto fundou o NÚCLEO DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO DE SÃO PAULO, juntamente com outros colegas, dando andamento ao programa de residência médica em Otorrinolaringologia, que funciona ininterruptamente até hoje.

Este programa continuou inicialmente no Hospital Nossa Senhora de Lourdes, posteriormente no Hospital Bandeirantes e na Clínica Infantil do Ipiranga. Desde 1993, o Núcleo de ORL funciona no Hospital e Maternidade São Camilo – Pompéia, localizado a Avenida Pompéia, 1137 e em sua sede, na Alameda dos Nhambiquaras, 159, Moema, São Paulo.

Mais de 70 novos otorrinolaringologistas foram formados nos 16 anos de existência do Hospital Ibirapuera, nomes de relevância dentro do cenário de nossa especialidade. Nos últimos 20 anos, o Núcleo de Otorrinolaringologia, Medicina do Sono e Cirurgia de Cabeça e Pescoço de São Paulo, continuando esta mesma missão, contribuiu com mais 68 novos otorrinolaringologistas para nosso país.

Sob a direção do Dr. José Antonio Pinto, atendemos a todos os setores da Otorrinolaringologia, Medicina do Sono, Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Cirurgia Crânio-maxilo-facial, contando também com os seguintes médicos, chefes da Residência em Otorrinolaringologia:

– Dr. José Antonio Pinto

– Dr. Henrique Cesar Felippu Pinto

– Dr. Pedro Paulo Cintra

– Dr. Fernando Cesar Cervantes dos Santos

– Dra. Heloisa dos Santos Sobreira Nunes

– Dr. André Freitas Cavallini

– Dr. Eduardo Amaro Bogaz

– Dr. Arturo Frick Carpes

– Dr. Aguilar Rodrigues

– Dra. Simone Pavie Simon

Nossa participação em inúmeros congressos da Otorrinolaringologia, a publicação de nossos artigos em periódicos internacionais e o valor de aceitarmos o desafio de ser a primeira equipe no Brasil a realizar a cirurgia de reconstrução das vias aéreas, por estenose laringotraqueal na infância, nos mostra que estamos no caminho certo e cumprindo a nossa missão.

Artigo Publicado em: 19 de novembro de 2017 e Atualizado em: 04 de setembro de 2019

Disfonia Espasmódica

Disfonia Espasmódica – Diagnóstico e Tratamento

A disfonia espasmódica, chamada também de distonia laríngea, trata-se de um distúrbio vocal raro provocado por espasmos ou movimentos involuntários de um ou mais músculos da laringe ou do aparelho vocal, que resultam na tensão das pregas vocais e no aumento da resistência glótica.

Neste artigo, você saberá mais informações sobre a condição, seus sintomas e tratamento. Acompanhe.

A Disfonia Espasmódica

A disfonia do tipo espasmódica incide sobretudo em pessoas na terceira idade, e é mais frequente em mulheres, mas pode afetar qualquer pessoa. Ainda de origem desconhecida, a doença persiste como umas das mais difíceis de serem diagnosticadas e tratadas.

Os sintomas da disfonia espasmódica variam desde uma dificuldade ocasional do paciente em pronunciar uma ou outra palavra, até uma dificuldade forte o suficiente para prejudicar sua comunicação. A doença impacta negativamente a qualidade de vida do indivíduo, podendo levá-lo até mesmo ao isolamento social.

Classificações e Sintomas

A disfonia espasmódica divide-se em três tipos: D.E de adução, D.E de abdução e D.E mista. A classificação varia de acordo com a musculatura laríngea envolvida.

Os sintomas do distúrbio manifestam-se somente no momento da fala e podem aumentar ou reduzir, de acordo com o tipo de emissão. São eles: voz tensa-estrangulada; quebras de sonoridade instáveis; esforço fonatório excessivo; esforço para emitir a voz e cansaço vocal.

Diagnóstico

A disfonia espasmódica é uma doença rara e difícil de ser diagnosticada, e por isso o intervalo de tempo entre a manifestação dos sintomas e o diagnóstico geralmente é muito longo: os portadores deste distúrbio vocal levam, em média, mais de 4 anos para serem assertivamente diagnosticados.

O diagnóstico da disfonia espasmódica baseia-se na descrição da progressão dos sintomas e em uma avaliação detalhada do paciente.

O principal recurso diagnóstico da disfonia espasmódica é o exame laringoscópico; entretanto, este não evidencia alterações estruturais que caracterizam a doença. Por isso, muitos pacientes são diagnosticados equivocadamente como portadores de distúrbios conversivos ou psiquiátricos.

Avaliação Clínica

A avaliação dos pacientes com disfonia espasmódica é realizada por uma equipe médica que inclui um otorrinolaringologista (médico especializado em distúrbios do ouvido, nariz e garganta), um fonoaudiólogo (especialista habilitado para diagnosticar e tratar distúrbios de fala, linguagem e voz) e um neurologista (médico especializado em distúrbios do sistema nervoso).

O otorrinolaringologista é responsável por avaliar o movimento das pregas vocais, através de um procedimento denominado nasolaringoscopia por fibra óptica, que consiste na introdução de um pequeno tubo luminoso para examinar o nariz e a garganta do paciente.

Tratamento

Atualmente, não existe cura para a disfonia espasmódica, mas existem tratamentos disponíveis eficazes na minimização dos sintomas do distúrbio. A terapia vocal pode reduzir alguns sintomas, sobretudo em casos mais leves.

Aconselhamentos psicológicos e ocupacionais podem beneficiar os pacientes de disfonia espasmódica, ajudando-os a encarar a condição de maneira positiva e se adaptar a ela.

Aplicação da Toxina Botulínica

O tratamento atual mais promissor na redução dos sintomas é a aplicação de pequena quantidades da toxina botulínica (botox) nos músculos afetados da laringe. Estas injeções geralmente promovem uma melhora da voz por um período de 3 a 4 meses, e depois os sintomas retornam gradativamente.

Por isso, o ideal é que a aplicação da toxina botulínica seja feita novamente após este período, para manter a melhora da voz. Os efeitos colaterais do tratamento, que geralmente passam após alguns dias ou semanas, podem incluir fraqueza temporária, voz sussurrada e dificuldades ocasionais de deglutição.

Artigo Publicado em: 17 de janeiro de 2018 e Revisado em 29 de maio de 2019

Medicina do Sono

Otorrinolaringologia e a Medicina do Sono

A Academia Americana de Otorrinolaringologia reconhece o importante papel da Otorrinolaringologia na Medicina do Sono, o que também gostaríamos de trazer à realidade brasileira.

Apesar do sono ocupar um terço das nossas vidas, somente na segunda metade do século XX a Medicina despertou para este complexo fenômeno. As pesquisas sobre o sono nasceram em Chicago com Kleitman, ganhando corpo com a descoberta do sono REM pelo mesmo e seu aluno Asersinsky em 1953.

Continue esta leitura e compreenda melhor o papel da Otorrinolaringologia na Medicina do Sono.

O Desenvolvimento da Medicina do Sono

A partir das pesquisas sobre o sono na segunda metade do século XX, uma explosão de pesquisas fundamentais foram acontecendo nos campos da eletrofisiologia, farmacologia, bioquímica, com o reconhecimento dos mistérios do sono e seus distúrbios.

Este rápido processo de desenvolvimento fica bem demonstrado com o crescimento das clínicas e laboratórios do sono que, a partir da Clínica de Distúrbios do Sono da Universidade de Stanford criada por Dement e seu discípulo Guilleminault em 1970, chegaram a 100 nos anos 80, atingindo hoje quase 3.000 nos USA.

A Medicina do Sono tornou-se uma especialidade multidisciplinar envolvendo neurologistas, pneumologistas, psiquiatras, otorrinolaringologistas, bucomaxilos, cardiologistas, endocrinologistas, cirurgiões bariátricos, dentistas, fisioterapeutas e nutricionistas.

Paralelamente, houve um especial interesse da indústria médica no desenvolvimento de aparelhos para diagnóstico (equipamentos de polissonografia) e tratamento (CPAP, equipamentos cirúrgicos).

No Brasil, este progresso chegou mais tarde, porém, expandiu-se rapidamente nos anos 90 e transformou-se numa das áreas mais atraentes de estudo e trabalho para o ORL.

A Evolução da Otorrinolaringologia no Tratamento da Apneia do Sono

Inicialmente como o último da linha, o Otorrinolaringologista era indicado para realizar traqueostomias naqueles pacientes com apneia grave sem outras alternativas.

Posteriormente, com um melhor conhecimento sobre as enfermidades do sono e com a descrição de Guilleminault de que a Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) não era um privilegio dos obesos, procedimentos cirúrgicos específicos com objetivo de reconstrução das vias aéreas superiores popularizaram-se nos anos 80 e 90, como a uvulopalatofaringoplastia, cirurgias nasais, de língua e sobre o esqueleto facial.

Depois de um grande entusiasmo inicial, resultados irrealísticos e controversos mostraram-se desanimadores em longo prazo, a grande maioria por indicações imprecisas e inconsistentes envolvendo somente uma área da obstrução, deixando outras áreas colapsáveis sem tratamento.

Isto levou ao descrédito o tratamento cirúrgico para a apneia do sono, estimulando os tratamentos não cirúrgicos, tentando-se de várias formas demonstrar a pouca efetividade das cirurgias.

Como em toda enfermidade complexa e de múltiplas variáveis, a Síndrome da Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) tem ainda aspectos não explicados em sua fisiopatologia, porém, o Otorrinolaringologista tem hoje uma melhor compreensão sobre como avaliar um paciente com esta patologia, tendo em conta que 80% deles apresentam múltiplos pontos de colapso das VAS que devem ser tratados.

Novas Perspectivas para a Medicina do Sono

No tratamento do câncer de cabeça e pescoço, temos o sistema TNM, um sistema de classificação para os médicos estadiarem diferentes tipos de câncer, com base em determinadas normas, sendo o guia fundamental na seleção do tratamento apropriado.

Contudo, nos distúrbios respiratórios sono-dependentes ainda não tínhamos um sistema de estadiamento universalmente aceito, o que agora vamos gradualmente conseguindo como o demonstra o estadiamento proposto por Friedman baseado na posição da língua, no tamanho das tonsilas palatinas e no índice de massa corporal.

Uma avaliação precisa constitui a peça fundamental no bom resultado do procedimento. E vemos atualmente que estas estatísticas melhoram a cada dia, podendo-se falar em melhora considerável da apneia por meio de cirurgias nasais, faríngeas, de base de língua e de avançamento maxilo-mandibular.

Artigo Publicado em: 17 de julho de 2017 e atualizado em: 22 de maio de 2019

Cuidados com a Voz

Semana da Voz 2019 – Conheça os Principais Cuidados com a Voz

Abril é o mês em que celebramos a voz humana como um recurso único para a humanidade. Cada país pode fazer escolhas diferentes sobre como abordar esse evento, com muitas atividades diferentes, desde performances artísticas até eventos de melhoria da saúde. A maioria das atividades do Dia Mundial da Voz acontece no dia 16 de abril, mas muitos eventos se estendem por toda a semana ou até mesmo durante todo o mês. Aproveitando esta mobilização, estamos promovendo em nossos sites e mídias sociais a Semana da Voz, com dicas e orientações de cuidados com a voz.

Principais Cuidados com a Voz

O Dr. José Antônio Pinto, ex-presidente da ABVL, chefe do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital e Maternidade São Camilo e especialista dos hospitais Albert Einstein e Oswaldo Cruz, fala sobre os problemas que podem afetar a voz humana – e o carinho que devemos ter com ela.

Sintomas como dor de garganta e rouquidão persistente, alteração na qualidade da voz, dificuldade de engolir e sensação de um caroço na garganta merecem investigação médica.

Esse é o começo de uma necessária conscientização da população brasileira sobre a importância da voz, suas alterações e cuidados que ela merece. “Alertando e orientando a sociedade para os cuidados com a voz, estamos prevenindo seus problemas e preservando o mais importante meio de comunicação da espécie humana e o instrumento de trabalho da maioria de nossa população” diz o Dr. José Antônio Pinto.

O que Pode Prejudicar a Voz?

Câncer de Laringe

O câncer de laringe, ou das cordas vocais, evidentemente é o mais grave distúrbio que pode acometer a voz, mas outras alterações vocais podem afetar nosso desempenho social e profissional. “Toda voz de qualidade ruim altera a qualidade de vida, de um modo ou de outro”.

Ele reforça a recomendação de que toda rouquidão que persista por mais de 15 dias deve ser investigada. Os especialistas têm hoje inúmeros recursos para visualizar diretamente o aparelho vocal, em busca de pólipos, tumores, focos hemorrágicos. Fibras ópticas e telescópios chegam diretamente ao local, pela boca ou pelo nariz, dando ao médico a oportunidade de registrar, em vídeo, tudo o que foi encontrado.

Pode ser, por exemplo, uma lesão precursora do câncer de laringe – uma leucoplasia, uma “nata de leite” sobre a corda vocal. Ou a formação de uma película sobre as cordas vocais que as faz perder a capacidade de vibração. Tudo isso altera a qualidade da voz – e a alteração vocal deve servir como um indício do problema. O Dr. José Antônio Pinto diz que os tumores da laringe podem ser considerados como uma doença social. Entre suas causas principais, estão o abuso de álcool, o refluxo gástrico (que pode ser atribuído a maus hábitos alimentares) e, sobretudo, ao tabagismo: 90% dos portadores de câncer na laringe são fumantes.

Como se vê, o câncer de laringe, se não pode ser inteiramente prevenido, tem causas que podem ser evitadas com bons hábitos de vida. Mas mesmo que isso não ocorra, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quando a lesão está em seus estágios iniciais, a remoção do tumor pode ser feita por meio de cirurgia endoscópica a laser, com um mínimo de trauma. O paciente se interna de manhã e é liberado a tarde. E, o mais importante, como destaca o Dr. José Antônio Pinto: preservando a voz.

Mesmo quando o tumor já está mais avançado, a manutenção das cordas vocais e, consequentemente, da voz, pode ser alcançada – mas aí com um prognóstico mais reservado. Resumindo: pessoas com rouquidão persistente ou algum dos sintomas descritos acima não devem temer o diagnóstico e o tratamento, que no passado era mutilante. Pelo contrário: o diagnóstico precoce significa manter a voz. Nas campanhas da voz, 25% dos pacientes examinados, em média, costuma apresentar alterações objetivas no exame da laringe, variando de lesões benignas a lesões malignas iniciais.

Calos e Abuso Vocal

Evidentemente, nem toda lesão de cordas vocais é câncer. Os chamados calos vocais são lesões produzidas por abuso vocal.

Como explica o Dr. José Antônio Pinto, o uso da voz num tom muito acima do normal é a principal causa dos calos. Isso afeta, geralmente, pessoas que usam a voz profissionalmente, muitas horas por dia – como professores, leiloeiros, locutores. Ou mesmo pessoas que simplesmente falam acima do tom – gritando ou se alterando com frequência.

“A voz é um instrumento humano maravilhoso, mas é preciso saber usar”. Nessas situações, uma reeducação foniátrica – a cargo de um fonoaudiólogo – pode ser indicada para não gerar lesões mais complexas.

Pigarros insistentes, às vezes até por tique nervoso ou maneirismo, também podem produzir lesões nas cordas vocais. Eles provocam os chamados “golpes de glote” – um choque brusco nas cordas vocais que, em certas situações, pode ser causado também por refluxo gástrico. Em vez de pigarro, o médico recomenda: “Tome um copo d’água, respire fundo”. Aliás, tomar bastante líquido é uma recomendação genérica que também é feita pelos laringologistas.

Outros Inimigos da Laringe

Ar-condicionado, que resseca vias aéreas, e bebidas excessivamente geladas, que produzem choque térmico podem ser prejudiciais. É claro que há pessoas mais sensíveis a esses dois fatores – em outras, elas não têm nenhuma repercussão vocal. É uma questão de conhecer seu próprio organismo.

E as “pastilhas de garganta”? Segundo o Dr. José Antônio, em geral esses produtos não alcançam a laringe e as cordas vocais, embora possam até amenizar uma “dor de garganta”. Nesse particular, inaladores de vapor teriam melhor efeito anti ressecamento.

E as bebidas alcoólicas? Uma boa dose de conhaque não seria um “santo remédio” para “limpar a garganta”? Claro que não, diz o Dr. José Antônio. “O álcool pode relaxar a garganta no momento que entra na boca. Depois, porém, produz um edema na corda vocal”. Não é à toa que o fumo e o álcool, nessa ordem, sejam os principais inimigos da voz.

O Dia Mundial da Voz

Em 1999, alguns médicos se reuniram em São Paulo com uma preocupação: o câncer de laringe, que vitimava 15 mil brasileiros por ano, sendo 8 mil casos fatais. Além disso, as chamadas doenças vocais eram desconhecidas da maioria das pessoas. Seria necessário difundir mais conhecimentos sobre os cuidados com a voz, para evitar problemas como estes.

Diante desse quadro, os médicos da atual ABLV (Academia Brasileira de Laringologia e Voz) lançaram a Campanha Nacional da Voz, um programa de orientação, informação e, principalmente, respeito pela voz, instrumento de trabalho de 70% dos brasileiros.

Desde então, todos os anos, no Dia Mundial da Voz, 16 de abril, os especialistas atendem cerca de 40 mil pessoas em todo o país, orientando e até detectando doenças relacionadas a nosso aparelho vocal.

A Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, através do seu Comitê de Voz, trabalhou para criar uma equipe para escolher o tema da campanha no ano de 2019. Após discussão e reflexão, a frase que está sendo adotada para como slogan para o dia da voz é: “Seja amigo da sua voz!”

Artigo Publicado em: 9 de maio de 2018 e Atualizado em 17 de abril de 2019

 

O que é Disfonia

O que é Disfonia e Quais São as suas Causas?

Você sabe o que é disfonia? O termo abrange qualquer complicação na emissão vocal que impeça ou dificulte a produção natural da voz. Trata-se de um sintoma presente em vários distúrbios vocais, que se manifesta ora como principal, ora como secundário. Os distúrbios vocais provocam limitações de ordem física, emocional e profissional nos pacientes.

Saiba mais sobre este distúrbio, suas causas e formas de tratamento, com a leitura deste artigo.

O que é Disfonia

A manifestação da disfonia se dá por meio de uma série de alterações, tais como: esforço para emitir a voz, cansaço ao falar, dificuldade em manter a voz, rouquidão, variações na frequência habitual da voz, falta de volume e projeção, pouca resistência ao falar e perda da eficiência vocal.

O que é Disfonia – Categorias Etiológicas

A disfonia é classificada como um sintoma que compõe o quadro de distúrbios da voz, e não como uma doença. As disfonias são divididas em três categorias etiológicas:

Disfonia Orgânica

A disfonia orgânica pode ser provocada por diversos fatores, e tem impacto direto sobre a voz. Alguns exemplos são: alterações vocais devido a neoplasias da laringe, doenças neurológicas, inflamações ou infecções agudas associadas a gripes, laringites e faringites.

Disfonia Funcional

A disfonia funcional trata-se de um distúrbio do comportamento vocal, ou seja, uma alteração provocada pelo próprio uso da voz. Pode ser decorrente do uso inadequado/abusivo da voz, inadaptações vocais e alterações psicogênicas.

Disfonia Organofuncional

A disfonia organofuncional é uma lesão estrutural benigna localizada nas pregas vocais, secundária ao comportamento inadequado ou alterado da voz. Geralmente, é consequência de uma disfonia funcional não tratada.

O que é Disfonia – Tipos de Lesões

As disfonias funcionais muitas vezes resultam em lesões orgânicas, tais como: nódulos, pólipos e edemas localizados nas pregas vocais.

Ambas alterações têm em comum o fato de apresentarem uma resposta inflamatória a agentes agressivos, sejam eles de natureza externa ou apenas consequências do mau uso da voz.

Nódulos

Os nódulos são decorrentes de fatores anatômicos predisponentes, fatores de personalidade (como ansiedade, perfeccionismo ou agressividade) e de comportamento vocal incorreto (uso excessivo e/ou abusivo da voz). Geralmente, o tratamento dos nódulos se dá através da fonoterapia, salvo alguns casos de indicação cirúrgica.

Pólipos

Os pólipos caracterizam-se por inflamações de aparência vascularizada, decorrentes de traumas em regiões mais profundas da lâmina da própria laringe. O paciente que sofre da condição apresenta rouquidão.

As causas mais comuns são: abuso vocal, agentes irritantes, alergias, infecções agudas, entre outras. O tratamento é cirúrgico.

Edemas das Pregas Vocais

Os edemas das pregas vocais, geralmente localizados e agudos, têm relação com o comportamento vocal (uso excessivo e/ou abusivo da voz). É encontrado principalmente em pessoas expostas a fatores irritantes externos, como o tabagismo.

O tratamento dos edemas discretos é medicamentoso, fonoterápico ou através de repouso da voz. Quando o edema é volumoso, requer intervenção cirúrgica para remoção, seguida de reabilitação fonoaudiológica.

Infecções

Fatores infecciosos, incluindo as sinusites, diminuem a ressonância vocal e causam alterações na função respiratória, provocando modificações na voz.

As infecções podem ser causadas por fatores imunológicos, endócrinos, auditivos e emocionais, capazes de alterar a emissão vocal.

De início, as infecções das vias aéreas superiores impactam diretamente sobre a faringe e a laringe, podendo causar irritação e edema das pregas vocais. A evolução desses processos infecciosos podem culminar em atividades danosas (como a tosse), que geram traumatismo nas pregas vocais.

Laringite Crônica

A laringite crônica trata-se do resultado do agravamento das irritações crônicas desta região. Os sintomas mais comuns são: rouquidão, tosse, sensação de corpo estranho na garganta, secreção, pigarro e dor de garganta.

O tratamento se dá através da eliminação de fatores que provocam irritação à laringe e da mudança de hábitos, como melhorar a higiene vocal e evitar o abuso de voz.

O que é Disfonia – Buscando Ajuda Médica

Os especialistas responsáveis pela avaliação e pelo tratamento da disfonia são o fonoaudiólogo ou o otorrinolaringologista.

É evidente a necessidade da criação de políticas voltadas à prevenção do surgimento de disfonias, através do desenvolvimento de programas de saúde vocal, visando ações educativas voltadas à utilização correta da voz, orientação de cuidados vocais e outras informações sobre a saúde vocal – especialmente aos profissionais que fazem uso constante da voz.

Medidas de prevenção sempre são o melhor tratamento: esteja sempre alerta à sua saúde vocal e mantenha um acompanhamento médico regular, assim como bons hábitos de comportamento e de higiene vocal.

Artigo Publicado em 04 de abril de 2018 e Atualizado em 27 de fevereiro de 2019

Tratamento da Apneia do Sono

Atuação do Otorrinolaringologista no Tratamento da Apneia do Sono

 

Como em toda enfermidade complexa e de múltiplas variáveis, a Síndrome da Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) tem ainda aspectos não explicados em sua fisiopatologia, porém, o Otorrinolaringologista tem hoje uma melhor compreensão sobre como avaliar um paciente com esta patologia, tendo em conta que 80% deles apresentam múltiplos pontos de colapso das VAS que devem ser tratados. Com a leitura deste artigo, saiba mais sobre a atuação do médico otorrino no tratamento da apneia do sono.

A Otorrinolaringologia no Tratamento da Apneia do Sono

Inicialmente, como o ultimo da linha, o Otorrinolaringologista era indicado para realizar traqueostomias naqueles pacientes com apneia grave sem outras alternativas.

Posteriormente, com um melhor conhecimento sobre as enfermidades do sono e com a descrição de Guilleminault de que a Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) não era um privilegio dos obesos, procedimentos cirúrgicos específicos com objetivo de reconstrução das vias aéreas superiores popularizaram-se nos anos 80 e 90, como a uvulopalatofaringoplastia, cirurgias nasais, de língua e sobre o esqueleto facial.

Uma avaliação precisa constitui a peça fundamental no bom resultado do procedimento. E vemos atualmente que estas estatísticas melhoram a cada dia, podendo-se falar em melhora considerável da apneia por meio de cirurgias nasais, faríngeas, de base de língua e de avançamento maxilo-mandibular.

Apesar da grande evolução no diagnóstico e tratamento da SAHOS, ainda ouvimos afirmações, inclusive de otorrinolaringologistas, de que a apneia não tem cura. Isto se deve também a uma visão limitada do profissional não habilitado a intervenções sobre a base da língua e o esqueleto facial.

Por outro lado, não devemos nos colocar somente como cirurgiões. Ao ORL compete, além dos tratamentos cirúrgicos, saber orientar antes de mais nada sobre as opções não cirúrgicas aos seus pacientes, sejam terapias comportamentais, de adaptação de CPAPs ou aparelhos intra-orais.

A Medicina do Sono é hoje uma realidade dentro da Otorrinolaringologia e deve fazer parte de nosso trabalho clínico e cirúrgico. Nossos programas de residência médica e de educação médica continuada devem reforçar seus interesses e tópicos sobre Medicina do Sono.

Tratamento da Apneia do Sono – Otimizando a Atuação da Otorrinolaringologia

Seguindo as próprias premissas da Academia Americana de Otorrinolaringologia, a ABORL-CCF está incrementando esforços no sentido de mostrar a importância do Otorrinolaringologista no tratamento do mais importante distúrbio do sono, a apneia obstrutiva, enfatizando:

1 – um melhor currículo sobre Medicina do Sono em nossos programas de residência, com um maior número de tópicos sobre o tema em nossos cursos de educação continuada e congressos;

2 – divulgação das evidências dos benefícios dos tratamentos otorrinolaringológicos para a apneia obstrutiva do sono;

3 – definição da apneia obstrutiva do sono como um distúrbio da via aérea superior (VAS), área de domínio da ORL, sendo o Otorrinolaringologista o único especialista habilitado a examinar a VAS e treinado para realizar mudanças anatômicas nesta região;

4 – promoção perante a mídia, com informações sobre o importante papel do ORL no tratamento da apneia obstrutiva do sono, pois vemos divulgações frequentes nas áreas de comunicação de especialistas do sono nas quais os ORL são indevidamente excluídos.

Diante de uma realidade em que se procurava distanciar o ORL desta área de distúrbios respiratórios sono-dependentes, acreditamos que, com estas ações, podemos conscientizar a nossa Sociedade e chamar a atenção de todos os profissionais que trabalham na Medicina do Sono para o relevante papel do Otorrinolaringologista na avaliação e tratamento desta complexa síndrome.

Artigo Publicado em: 24 de julho de 2017 e Atualizado em 13 de fevereiro de 2019

Nódulos nas Cordas Vocais

Nódulos nas Cordas Vocais – Devo me Preocupar?

Os nódulos nas cordas vocais, conhecidos popularmente como calos nas cordas vocais, tratam-se de lesões de massa benignas, bilaterais, rígidas e simétricas que afetam as pregas vocais.

O surgimento desses nódulos deve-se ao atrito brusco, provocado pelo contato frequente e intenso entre as cordas vocais no processo de produção do som. A causa mais comum desse atrito brusco é o comportamento vocal inadequado, em especial o abuso vocal.

Os nódulos não tratam-se de tumores, pois apresentam novas formações celulares em sua composição: são formados por um tecido edematoso e/ou fibras colágenas.

Nódulos nas Cordas Vocais

Nódulos nas Cordas Vocais – Fatores de Risco

O comportamento vocal influencia diretamente no surgimento de nódulos nas cordas vocais: o problema incide principalmente sobre mulheres na faixa etária de 25 a 35 anos, e também sobre crianças, de ambos os gêneros, entre os 7 e 9 anos.

Os principais alvos da condição são pessoas que fazem uso constante da voz no trabalho, os “profissionais da voz”, grupo que engloba professores, telefonistas, secretários, apresentadores, cantores, atores, advogados, leiloeiros, médicos, entre outros.

Pesquisas apontam que, dentre os pacientes adultos que apresentam nódulos nas cordas vocais, mais de 90% são do gênero feminino, mais de 60% são professores, 95% são não-fumantes e mais de 80% trabalham durante dois ou três turnos.

Determinados comportamentos que caracterizam o uso inadequado da voz, a longo prazo, comumente resultam no surgimento de nódulos nas cordas vocais.

Os hábitos mais comuns de mau uso da voz são: falar muito alto, muito rápido ou durante muito tempo, gritar constantemente, produzir voz em um tom muito grave, falar em ambientes barulhentos, falar e realizar movimentos físicos intensos simultaneamente, emitir sons com muita força e falar com a ressonância baixa, forçando a garganta.

Alergias respiratórias, distúrbios hormonais, tabagismo e etilismo são outros fatores que também Têm relação com o aparecimento de nódulos vocais.

Sintomas de Nódulo nas Cordas Vocais

Os nódulos nas cordas vocais provocam alterações no padrão de produção do som. As mudanças mais perceptíveis auditivamente são a rouquidão, a soprosidade e as modificações no tom de voz (tom mais grave ou mais agudo).

Outras queixas comuns de pacientes com nódulos vocais são de cansaço durante a fala, dor na laringe ou no pescoço, presença de muito pigarro e dificuldade de falar por muito tempo, dificuldade de produzir notas agudas e dificuldade na coordenação da respiração e produção da voz.

Nas crianças, os sintomas dos nódulos vocais são semelhantes aos dos adultos: somente a dificuldade em coordenar a respiração e a produção da voz fica mais evidente. Em alguns casos, elas podem perder a voz durante alguns períodos de tempo.

Diagnóstico  e Tratamento de Nódulo nas Cordas Vocais

O diagnóstico de nódulo nas cordas vocais varia de acordo com as especificidades de cada paciente, tais como: história clínica, sintomas, causas e comportamento vocal. É preciso analisar se há uso excessivo ou inadequado da voz na rotina do paciente, qual sua demanda vocal e  detectar características que possam contribuir no tratamento e na mudança de hábitos voltados à voz.

Se você notou a presença de alterações na sua voz ou rouquidão persistente (por mais de 10 dias) que não estejam relacionadas a outras condições clínicas, como um resfriado, não exite em procurar o otorrinolaringologista de sua confiança.

O especialista poderá detectar a causa dessas alterações e indicar a intervenção fonoaudióloga adequada, assim como a mudança de hábitos que o paciente terá que passar durante as sessões de tratamento, e ainda se há ou não necessidade de intervenção cirúrgica.

O acompanhamento médico é igualmente fundamental no caso das crianças. Quando antes o problema for diagnosticado, mais amplas são as possibilidades de tratamento.

Prevenção dos Nódulos nas Cordas Vocais

A melhor forma de prevenir dos nódulos vocais é cuidar bem da voz, afinal, trata-se de uma condição decorrente de hábitos nocivos, uso inadequado e abuso da voz. Alguns cuidados são necessários, especialmente no caso de pessoas que fazem uso contínuo da voz no trabalho e no dia a dia.

Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia

47° Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial

Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia

 

Nos dias 1 a 4 de novembro, vamos participar do 47° Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Nesta edição realizada em Florianópolis, o Dr. José Antonio Pinto vai ministrar a palestra “A evolução da cirurgia esquelética no tratamento da SAOS” e participar da Mesa-redonda sobre “Tratamento da SAOS: Cirurgia Multinível”.

Sobre o Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia

Todos os anos, o Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial traz grandes nomes dessa especialidade para apresentar novos avanços e ideias. Nessa edição, a ABORL-CCF, organizadora do evento, está trabalhando para tornar a participação de palestrantes e convidados internacionais ainda maior e, com isso, levar a todos um evento que possa fazer jus ao slogan 47° sem fronteiras.

A comissão científica está trabalhando arduamente para oferecer uma programação que contemple os mais importantes temas de cada segmento. Dessa forma, o congresso terá apresentações de alto nível, mas, principalmente, a inovação de trazer sessões inéditas com a transmissão de cirurgias ao vivo.

A realização simultânea do Congresso Luso Brasileiro e do Congresso da Academia Iberoamericana fará deste evento o mais internacional de todos os Congressos Brasileiros de Otorrinolaringologia, sendo uma oportunidade inédita de troca de conhecimento feita de forma dinâmica e atualizada.

A Nossa Participação na Programação Científica

A participação do Núcleo de Otorrinolaringologia, Medicina do Sono e Cirurgia de Cabeça e Pescoço de São Paulo inclui uma palestra ministrada pelo Dr José Antonio Pinto sobre a importância da cirurgia esquelética no tratamento da apneia do sono.

O Dr José Antonio Pinto também irá coordenar uma mesa redonda sobre cirurgias em vários níveis no tratamento da apneia do sono e do ronco.

Além disso, será realizada uma apresentação de nova técnica de cirurgia na faringe para o tratamento do ronco e da apneia do sono.

Sobre o Local do Evento

O Centro de Convenções CentroSul é totalmente climatizado e com vista de cartão postal. Está localizado estrategicamente no centro da cidade, na Av. Gov. Gustavo Richard, 850, próximo do terminal rodoviário, aeroporto e da ampla rede hoteleira. Disponibiliza atualmente 16.560 m² de área construída, divididos em dois pavimentos, com salas modulares para acomodar até 3.500 pessoas confortavelmente sentadas e dois salões de exposição para até 13.000 pessoas.

Florianópolis, a capital de Santa Catarina é linda, sofisticada e única. No centro, fica a maior parte da infra-estrutura e pontos turísticos não naturais da cidade. Antigas casas açorianas tombadas como Patrimônio Histórico, o grande Mercado Público construído em 1898, praças, museus e teatros contam a história da ilha. A Ponte Hercílio Luz construída em 1926 para fazer a ligação entre a ilha e o continente, é a marca registrada da cidade, que também é repleta de praias incríveis.

Roncar é normal

Roncar é normal?

Roncar é normal

 

Não, roncar não é normal. Esse incômodo ruído, produzido pela vibração das estruturas da garganta, decorre de um estreitamento parcial das vias respiratórias durante o sono. A passagem forçada do ar por esta obstrução parcial causa o barulho do ronco.

Estima-se que mais de metade da população mundial ronca eventualmente e que 20% da população adulta ronca habitualmente.

Algumas pessoas roncam todas as noites, a noite inteira; outras somente no inicio do sono ou em fases de sono profundo, ou quando dormem de barriga para cima, ou quando estão resfriadas, ou após lautos jantares ou beberem um copo a mais.

Atualmente, o ronco deixou de ser simplesmente um problema social e o maior desagregador conjugal. Segundo Luis Fernando Veríssimo “a principal causa de divórcio no Brasil é a mulher raspar as pernas com o aparelho de barba do marido e depois não limpar. Em segundo lugar vem o adultério; em terceiro, o ronco”.  Além destas implicações sociais, o ronco constitui hoje um problema médico, estando associado à morbidade e mortalidade vascular em pacientes de meia idade, com alta incidência de hipertensão arterial, angina, infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.

Fatores predisponentes para o ronco

Fatores anatômicos e constitucionais, que causem restrição nas vias respiratórias, podem ser determinantes para o ronco. Entre eles estão a obstrução nasal levando a uma respiração pela boca, amígdalas palatinas aumentadas, úvula (campainha) e palato mole em excesso, língua volumosa, alterações esqueléticas faciais como a mandíbula pequena ou o queixo um pouco para trás, pescoço curto e grosso e, principalmente, a obesidade.

Fazendo parte de um continuum, na qual o ronco é o sintoma inicial, com o passar dos anos estes pacientes podem apresentar paradas respiratórias durante o sono, caracterizando o que chamamos de apneia obstrutiva do sono.  As apneias tem duração mínima de 10 segundos, ocorrendo inúmeras vezes e exclusivamente durante o sono, resultando em asfixia recorrente com queda da oxigenação, com graves consequências para o organismo.

Repercussões clínicas do ronco e da apneia

Esse problema reflete em sintomas noturnos e diurnos, com diminuição da qualidade de vida, calculando-se sua incidência em 10% dos homens e 5% das mulheres em idade adulta.

Os sintomas noturnos, além do ronco e das apneias, são engasgos, fragmentação do sono, bruxismo, boca seca, sono não repousante e refluxo ácido.

Os sintomas diurnos são sonolência excessiva diurna, fadiga, dor de cabeça matinal, déficits de atenção, memória e aprendizado, depressão, mau humor, obesidade e impotência.

As repercussões clínicas do ronco e da apneia fazem-se em todos os setores vitais do nosso organismo como nas doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca), nas  doenças do cérebro (derrames), nas doenças endócrinas (diabetes), distúrbios sexuais (impotência) e distúrbios de comportamento, sendo causas importantes de acidentes de trânsito e de trabalho. Estudos populacionais tem demonstrado o aumento da mortalidade na apneia do sono por infarto agudo do miocárdio e morte súbita.

Pacientes com estas queixas devem ser investigados quanto a qualidade de seu sono e examinados por médicos especialistas (otorrinos, neurologistas, pneumologistas) para que possam ser tratados o mais precocemente possível.  Esses tratamentos envolvem medidas comportamentais (higiene do sono), tratamento com aparelhos de pressão aérea positiva (CPAPs), aparelhos intraorais ou tratamentos cirúrgicos sobre as vias respiratórias.

Recomendações aos roncadores

  • Evitar dormir de barriga para cima;
  • Evitar refeições pesadas antes de dormir;
  • Evitar álcool e fumo no mínimo 4 horas antes de dormir;
  • Evitar bebidas cafeinadas (café, chá, chocolate), medicamentos sedativos do tipo hipnóticos ou antialérgicos antes de dormir;
  • Perder peso e ter atividade física regular;
  • Evitar privação do sono: dormir no mínimo 7 horas por noite;
  • Levantar a cabeceira da cama cerca de 15 a 20 centímetros;
  • Procurar manter horários regulares para dormir e levantar;
  • Cuidar de seu nariz para não dormir de boca aberta.

Essas medidas gerais podem ajudar você e seu cônjuge a terem um sono mais prazeroso e saudável.  Se isto não acontecer, procure o seu médico.

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